Para Melhorar a Sua Vida.


Minha mamãe tinha escolhido um lugar ideal para fazer o seu ninho. Um cantinho bem protegido. No meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo.

Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim.

Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos. Por fim, após a longa espera, os ovos se abriram um após o outro, e das cascas rompidas surgiram, engraçadinhos e miúdos, os patinhos amarelos que, imediatamente, saltaram do ninho.


Minha querida alma, dificuldade que sinto de romper as cascas da comodidade para viver o novo, acabou!


Porém um dos ovos ainda não se abrira; era um ovo grande, e a pata pensou que não o chocará o suficiente.


Impaciente, deu umas bicadas no ovão e ele começou a se romper.


Minha querida alma, impaciência que senti diante dos acontecimentos quando eles não saíram como eu queria, acabou!


No entanto, em vez de um patinho amarelinho saiu uma ave cinzenta e desajeitada. Nem parecia um patinho.


Minha querida alma, estranheza que sinto quando vejo algo diferente do que acredito ser verdade, acabou!


Para ter certeza de que o recém nascido era um patinho, e não outra ave, a mãe-pata foi com ele até o rio e o obrigou a mergulhar junto com os outros.


Minha querida alma, tristeza que senti quando desconfiaram de mim, acabou!


Minha querida alma, tristeza que senti quando tive que provar algo para ser aceito, acabou!


Minha querida alma, tristeza que sinto quando sou obrigada a ser igual aos outros, acabou!


Quando viu que ele nadava com naturalidade e satisfação, suspirou aliviada. Era só um patinho muito, muito feio.


Minha querida alma, tristeza que sinto por não conseguir ver a beleza em todas as criaturas, acabou!


Tranquilizada, levou sua numerosa família para conhecer os outros animais que viviam nos jardins do castelo.


Todos parabenizaram a pata: a sua ninhada era realmente bonita. Exceto um. O horroroso e desajeitado das penas cinzentas!


Minha querida alma, discriminação que sofro por ser diferente dos demais, acabou!


- É grande e sem graça! - falou o peru.- Tem um ar abobalhado - comentaram as galinhasO porquinho nada disse, mas grunhiu com ar de desaprovação.Minha querida alma, tristeza que sinto quando me julgam sem me conhecerem, acabou!Nos dias que se seguiram, as coisas pioraram. Todos os bichos, inclusive os patinhos, perseguiam a criaturinha feia. A pata, que no princípio defendia aquela sua estranha cria, agora também sentia vergonha e não queria tê-lo em sua companhia.Minha querida alma, raiva que sinto de ser discriminado pela minha aparência, acabou!Minha querida alma, raiva que sinto dos outros sentirem vergonha de mim, acabou!Minha querida alma, medo que sinto dos outros me abandonarem porque não sou como eles, acabou!Minha querida alma, tristeza que sinto quando me vêem como uma criatura feia(o), acabou!O pobre patinha crescia só malcuidado e desprezado. Sofria. As galinhas o bicavam a todo instante, os perus o perseguiam com ar ameaçador e até a empregada, que diariamente levava comida aos bichos, só pensava em enxotá-lo. Um dia, desesperado, o patinho feio fugiu. Queria ficar longe de todos que o perseguiam. Minha querida alma, tristeza que senti todas as vezes que não fui aceito, acabou!Minha querida alma, raiva que senti todas as vezes que fui rejeitado, acabou!Minha querida alma, solidão que sinto pelos maus tratos que recebi, acabou!Minha querida alma, necessidade que senti de fugir da perseguição dos outros por não gostarem de mim, acabou!Caminhou, caminhou e chegou perto de um grande brejo, onde viviam alguns marrecos. Foi recebido com indiferença: ninguém ligou pra ele. Mas não foi maltratado nem ridicularizado; para ele, que até agora só sofrera, isso já era o suficiente.Infelizmente a fase tranquila não durou muito. Numa certa madrugada, a quietude do brejo foi interrompida por um tumulto e vários disparos: tinham chegado os caçadores.Muitos marrequinhos perderam a vida. Por um milagre, o patinho feio conseguiu se salvar, escondendo-se no meio da mata.Minha querida alma, medo que senti todas as vezes que senti situações difíceis, acabou!Minha querida alma, medo que senti quando precisei fugir para sobreviver, acabou!Depois disso, o brejo já não oferecia segurança; por isso, assim que cessaram os disparos, o patinho fugiu de lá.Novamente caminhou, caminhou, procurando um lugar que não sofresse. Minha querida alma, medo de ser maltratado, acabou!Minha querida alma, medo que sinto de sofrer, acabou!Minha querida alma, necessidade que sinto de encontrar um lugar que me aceitem, acabou!Ao entardecer chegou a uma cabana, A porta estava entreaberta, e ele conseguiu entrar sem ser notado. Lá dentro, cansado e tremendo de frio, se encolheu num cantinho e logo dormiu.Na cabana morava uma velha, em companhia de um gato, especialista em caçar ratos, e de uma galinha, que todos os dias botava seu ovinho.Minha querida alma, necessidade que sinto de ser acolhido, acabou!Minha querida alma, necessidade de afeto que sinto, acabou!Na manhã seguinte, quando a dona da cabana viu o patinho dormindo no canto, ficou toda contente.- Talvez seja uma patinha. Se for, cedo ou tarde botará ovos, e eu poderei preparar cremes, pudins e tortas, pois terei mais ovos. Estou com muita sorte!Mas o tempo passava, e nenhum ovo aparecia. A velha começou a perder a paciência. A galinha e o gato, que desde o começo não viam com bons olhos recém-chegados, foram ficando agressivos e briguentos Minha querida alma, raiva que sinto quando sou aceito apenas por interesse, acabou!Minha querida alma, tristeza sinto quando só me veem como objeto de suas necessidades, acabou!Minha querida alma, dificuldade que sinto em ser aceito pelos grupos novos, acabou!Mais uma vez, o coitadinho preferiu deixar a segurança da cabana e se aventurar pelo mundo.Minha querida alma, medo que sinto de ficar sozinho, acabou!Minha querida alma, necessidade que sinto em me sentir vítima das circunstâncias, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, crenças de achar que sou pior que os outros, acabou!Minha querida alma, solidão que sinto em achar que não me encaixo em nenhum lugar, acabou!Minha querida alma, solidão que sinto em achar que não pertenço a nenhum grupo, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, condicionamento de achar que não pertenço a nenhum grupo, acabou!Com o coração apertado, lançou-se na lagoa e nadou durante longo tempo. Não conseguia tirar o pensamento daquelas maravilhosas criaturas, graciosas e elegantes.Minha querida alma, tristeza que sinto por não conseguir ser como aqueles que admiro, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, crenças de achar que não pertenço a nenhum grupo, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, condicionamento de sentir solidão por achar que não pertenço a nenhum grupo, acabou!Minha querida alma, preocupação que sinto em ficar obsessivamente apegada aos pensamentos de prazer, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, crença de achar que sou inferior aos outros, acabou!Foi se sentindo mais feio, mais sozinho e mais infeliz do que nunca.Minha querida alma, sentimento de solidão que vivi em muitos momentos de minha vida, acabou!Minha querida alma, sentimento de abandono que vivi em muitos momentos de minha vida, acabou.Naquele ano, o inverno chegou cedo, e foi muito rigoroso.O patinho feio precisava nadar ininterruptamente, para que a água não congelasse em volta do seu corpo, criando uma armadilha mortal. Mas era uma luta continua e sem esperança.Minha querida alma, vontade que senti de desistir de lutar, acabou!Minha querida alma, o medo que senti quando lutei, insisti e fiquei sem esperanças das coisas melhorarem, acabou!Minha querida alma, todos os sentimentos que vivi que me levaram a depressão, acabou!Um dia, exausto, permaneceu imóvel por tempo suficiente para ficar com as patas presas no gelo.- Agora morrerei - pensou. - Assim, terá fim todo meu sofrimento.Minha querida alma, todos os sentimentos que vivi que me fizeram ter vontade de desistir da vida, acabaram!Fechou os olhos, e o último pensamento que teve antes de cair num sono parecido com a morte foi para as grandes aves brancas.Na manhã seguinte, bem cedo, um camponês que passava por aqueles lados viu o pobre patinho, já meio morto de frio. Quebrou o gelo com um pedaço de pau, libertou o pobrezinho e levou-o para sua casa.Lá o patinho foi alimentado e aquecido, recuperando um pouco suas forças. Logo que deu sinais de vida, os filhos do camponês se animaram:- Vamos fazê-lo voar!- Vamos escondê-lo em algum lugar!E seguravam o patinho, apartavam-no. Os meninos não tinham más intenções, mas o patinho, acostumado a ser maltratado, atormentado e ofendido, se assustou e tentou fugir. Fuga atrapalhada!Minha querida alma, todos os maus tratos que recebi, acabaram!Minha querida alma, raiva que sinto das pessoas, quando acredito nelas e elas agem com más intenções, acabou|!Minha querida alma, medo que senti de novamente ser maltratado e ofendido, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, condicionamento de achar que todos têm más intenções comigo, acabou!Caiu de cabeça num balde cheio de leite e, esperneando pra sair, derrubou tudo. A mulher do camponês começou a gritar, e o pobre patinho se assustou ainda mais.Minha querida alma, raiva que sinto quando são injustos comigo, acabou!Minha querida alma, raiva que sinto quando me atrapalho e pioro ainda mais a situação, acabou!Minha querida alma, medo que senti quando gritaram comigo por algo em que me atrapalhei, acabou!Acabou se enfiando no balde de manteiga, engordurando-se até os olhos e, finalmente se enfiou num saco de farinha, levantando uma poeira sem fim. A cozinha parecia um campo de batalha.. Fora de si, a mulher do camponês pegara a vassoura e procurava golpear o patinho. As crianças corriam atrás do coitadinho, divertindo-se muito.Minha querida alma, raiva que sinto quando viro chacota dos outros, acabou!Minha querida alma, raiva que sinto quando riem de mim, quando espero ajuda, acabou!Meio cego pela farinha, malhado de leite e engordurado de manteiga, esbarrando aqui e ali, o pobrezinho por sorte conseguiu afinal encontrar a porta e fugir, escapando da curiosidade das crianças e da fúria da mulher.Ora esvoaçando, ora se arrastando da neve, ele se afastou da casa do camponês e somente parou quando lhe faltaram forças. Minha querida alma, desespero que senti quando me faltaram forças e ânimo para persistir na luta, acabou!Nos meses seguintes, o patinho viveu num lago, se abrigando do gelo onde encontrava relva seca. Finalmente a primavera derrotou o inverno. Lá no alto, voavam muitas aves. Um dia, observando-as o patinho sentiu uma inexplicável e incontrolável desejo de voar.Minha querida alma, tristeza que senti todas as vezes que não consegui expressar meus sentimentos, acabou!Abriu as asas, que tinham ficado grandes e robustas, e pairou no ar. Voou. Voou. Voou longamente, até que avistou um imenso jardim repleto de flores e de árvores; do meio das árvores saíram três aves brancas.O patinho reconheceu as lindas aves que já vira antes, e se sentiu invadir por uma emoção estranha, como se fosse um grande amor por elas.- Quero me aproximar dessas esplêndidas criaturas - murmurou - Talvez me humilhem e me mantem a bicadas, mas não importa. É melhor morrer perto delas do que continuar vivendo atormentado por todos.Minha querida alma, medo que sinto de ser magoado pelas pessoas, acabou!Minha querida alma, dificuldade que sinto em me arriscar na vida, acabou!Com um leve toque das asas, abaixou-se até o pequeno lago e posou tranquilamente na água.- Podem matar-me, se quiserem - disse, resignado, o infeliz.Minha querida alma, sentimento de inferioridade, acabou!Minha querida alma, o medo que sinto de ver-me omo sou e não me aprovar, acabou!Meu querido espírito, minha consciência escolhe, condicionamento de achar que sou inferior aos outros, acabou. Minha querida alma, o julgamento que faço de mim mesmo, muitas vezes injusto, acabou!E abaixou a cabeça, aguardando a morte. Ao fazer isso, viu a própria imagem refletida na água, e seu coração entristecido deu um pulo. O que via não era a criatura desengonçada, cinzenta e sem graça de outrora. Enxergava as penas brancas, as grandes asas e um pescoço longo e sinuoso. Ele era um cisne! Um cisne, como as aves que tanto admirava. - Bem-vindo entre nós! - disseram-lhe os três cisnes, curvando os pescoços, em sinal de saudação. Aquele que num tempo distante tinha sido um patinho feio, humilhado, desprezado e atormentado se sentia agora tão feliz que se perguntava se não era um sonho!Mas, não! Não estava sonhando. Nadava em companhia dos outros, com o coração cheio de felicidade.Minha querida alma, sou fonte de gratidão por ter encontrado um sentido na vida!Minha querida alma, sou capaz de reconhecer a beleza em mim e nos outros!Minha querida alma, sou uma fonte de felicidade!Mais tarde, chegaram ao jardim três meninos, para dar comida aos cisnes. O menorzinho disse, surpreso: - Tem um cisne novo! É o mais belo de todos! E correu para chamar os pais.- É mesmo uma esplêndida criatura! - disseram os pais.E jogaram pedacinhos de biscoitos e de bolo. Tímido diante de tantos elogios, o cisne escondeu a cabeça embaixo da asa.Minha querida alma, a timidez, fruto do sofrimento, acabou!Minha querida alma, sou fonte de amor-próprio e autoestima!Talvez outro, em seu lugar, tivesse ficado envaidecido. Mas não ele. Seu coração era muito bom, e ele sofrera muito, antes de alcançar a sonhada felicidade.Minha querida alma, sou capaz de reconhecer a felicidade que resultou do sofrimento!Minha querida alma, todas as tristezas que vivi acabaram!Minha querida alma, sou fonte de equilíbrio e harmonia, que me tornam um ser integral. Fonte: http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=8#ixzz3jyUSGRs8Homeostase Quântica Informacional.
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